O Luto e o Psicólogo na Sociedade Contemporânea
O luto para a Sociedade Ocidental é um processo de muito sofrimento pelo culto ao apego. Cada vez mais as pessoas vivenciam lutos na sociedade contemporânea como a perda do emprego, separação do casal, o adoecer, a amputação de um órgão, a violência doméstica, a violência urbana, etc. Todos os dias nos meios de comunicação somos bombardeados com mortes que nos chocam, como no caso João Pedro, Isabel e João; crianças que morrem violentamente e nos marcam com a dor do trauma.
Nos consultórios psicológicos e psiquiátricos crescem o número de pessoas com queixa de luto e este luto, caso não seja tratado, pode tornar-se patológico.
Para o psiquiatra britânico Colin Murray Parkes (1988) o luto é uma transição psicossocial que interfere profundamente todas as áreas que englobam o ser humano. O luto é desencadeante de diversos pensamentos e crenças que interferem nas emoções, nos comportamentos e até nas reações fisiológicas, no âmbito pessoal, profissional, afetivo, financeiro, social e na saúde.
As pessoas enlutadas são vulneráveis e possuem maior risco de morrer comparado às pessoas que não estão passando pelo processo de luto. Isso acontece nas semanas e meses mais próximos da morte e mais frequentemente em homens, segundo Stroelve et al (1993).
Numa descrição feita por Montaigne sobre a morte de João, rei da Hungria, o autor descreve esta dor “sem sequer pronunciar uma palavra ou fechar os olhos, mas olhando profundamente o corpo do filho, ele se manteve em pé até que a veemência de sua tristeza, tendo suprimido seus espíritos vitais, derrubou-o morto ao solo.”
Cabe aos psicólogos se especializarem para compreender, dar suporte, tratar e estabelecer novas metas do paciente enlutado. Possa recuperar sua auto-confiança, amor próprio e encontrar um novo caminho na sua vida.
Faço das minhas palavras a citação do Dr. Parkers (1998): “Não podemos mais ignorar o fato de que a pesquisa sobre os efeitos da mudança são uma aula de estudo essencial. O desejo de olhar de frente para os problemas do luto e do enlutado, em lugar de ensinar a lidar com suas próprias perdas. O luto é presente na vida de qualquer ser – humano; e um dia quem nunca passou, irá enfrentá-lo. E quando este dia chegar, esteja preparado para ele.
Referências Bibliográficas:
Bowlbym, J.- Apego,a Tanatologia; Apego e perda : São Paulo: Martins Fontes, 1984.
Kubler–Ross, Elizabeth – Sobre a morte e o morrer. 8ºed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Parkes, Colin Murray – Luto – estudo sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus, 1998.
Clystine Abram O. Gomes
CRP 05 - 15048